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Daniel Hernandez shihan

Faz 32 anos que comecei a treinar Artes Marciais e agora, aos 42 anos de idade, me sinto, totalmente realizado na arte suprema, Ryu Ha, antigas tradições marciais, tradições marciais Ninja.

Comecei treinando Judô por 3 anos, para depois treinar TaeKwonDo durante 3 anos. Continuei com Wushu, arte que treinei durante 2 anos até que conheci o Karatê, Uechi Ryu, que marcou minha vida durante 17 anos, tempo em que treinei também Kobudo Okinauense, Iaido e Kendo.

Quero dizer que devo muito a estas artes porque com elas aprendi e me formei com um espírito de luta e sacrifício. Pode haver homens bons ou maus, mas as Artes são todas boas.

E das artes treinadas anteriormente, Uechi foi a que forjou a decisão de um guerreiro. E passando o que devia passar, voltei a encontrar depois de muitas vidas a Arte Suprema, que volta a ressurgir como a ave Fénix, das cinzas.

O começo, foi em 1986, com um instrutor da Espanha que veio a Argentina para dar uma série de treinamentos e o mesmo havia sido trazido ao meu país por um professor de Kung Fu local, que traria muitos problemas e mancharia a imagem desta maravilhosa arte de Hatsumi Sensei tempos depois de estar praticando Ninjutsu com esse instrutor que viveu na casa de um aluno meu durante um período de três meses e depois quatro e logo depois, voltou a seu país e desapareceu. Eu contava com 150 alunos (1988), não tive notícias durante um ano e não queria enganar as pessoas e nem podia pensar que esta arte não existia, que por culpa de “pessoas” sem escrúpulos me converteram em mais um farsante.

Foi aí que falei com meus alunos, a maioria vinha de outras artes e muitos desenganados pela manobra que maus elementos costumam fazer com coisas boas e não podia permitir que aqui acontecesse o mesmo. Então, com a ajuda de meu pai e o apoio de minha esposa Graciela, viajei para a Espanha em busca do professor do instrutor que havia vinda à Argentina. Fui para ficar 15 dias e fiquei 2 meses treinando com Ruy De Mendoza (hoje fora da Bujinkan) e desde aquela época viajo constantemente para a Espanha estive um período de 1 ano treinando lá e nesse período foi que conheci e fiz muitos amigos de treino, muitos deles, os que sobreviveram as numerosas provas que nos leva esta misteriosa Arte Ninja, sendo hoje em dia um dos graus mais altos fora do Japão.

Tive a honra de ser o primeiro sulamericano na prova de Godan Test, Sakki Test. Fui no Tai Kai de Torremolinos de 1990 e a partir daí, viajei 7 vezes ao Japão para ver e aprender com meu Mestre, Soke Masaaki Hatsumi e participei de 18 Tai Kai com meu Mestre em diversas partes do mundo e me converti em um missioneiro das mensagens que Soke transmite. No ano de 1993, Soke Hatsumi veio a Argentina participar do primeiro Tai Kai da America do Sul, onde a organização estava a cargo de meu companheiro e irmão, o Shihan Carlos Etchegaray e eu, e também pude contar com a grande colaboração do meu irmão de vivência no Budo, o Shihan Pedro Freitas das Ilhas Canárias.

Em 1996 Soke me surpreende novamente me nomeando o primeiro 10º Dan de Bujinkan da América do Sul no Tai Kai de Alicante, na Espanha.

Já dei mais de 100 cursos na Argentina, como também no Chile, Uruguai, Brasil e Colômbia. Posso dizer também que fui o primeiro Shihan desta parte do mundo que deu seminários na Europa, Espanha, em dez oportunidades: Alicante, Burgos, Madrid, Barcelona, Gran Canarias, Tenerife. Também na Itália e França. Recentemente, no mês de Abril de 2000, Soke Hatsumi, me recebeu em sua casa, e me entregou o Chi - Menkyo Kaiden, 11º Dan, os conhecimentos adquiridos do primeiro nível e me converte outra vez na responsabilidade de possuir o grau mais alto nesta parte do continente. O grau mais alto adquirido nas tradições Marciais Ninja é 12º Dan (em todo o mundo, Japão e ocidente).
Bem, esta é uma pequena resenha de como vim encontrar esta maravilhosa Arte das sombras, das mãos do último Grão Mestre vivente, Soke Hatsumi Masaaki, único herdeiro das últimas tradições Ninja do Japão, não existindo outro herdeiro ou outro estilo da Arte Ninja no mundo!

Uma vez meu mestre me disse, “Veja Daniel, na vida, atravessamos uma montanha chamada sofrimento e devemos estar preparados para resistir. A vida nos golpeia constantemente e devemos assimilar esses golpes para crescer e melhorar, devemos aceitar as coisas boas e más como um ensinamento. Daniel, Ganbate Kudasai (dê o melhor de si, por favor), estou seguro que do outro lado da montanha nos encontraremos novamente”.

Agora eu te digo que forje seu espírito, que os golpes que a vida dá sirva como os que recebem a forja de uma Katana, que esses golpes façam de nosso espírito uma Katana com o melhor fio e com o melhor aço. Meu espírito foi forjado com o melhor aço e é mortal. Fiz de meu espírito uma Katana e se olham sua lâmina, nela se reflete o sol de meu Mestre, Soke Hatsumi Masaaki. Que não importe mais as vezes que caia e sim as que volte a se levantar!!!

É desejo do fundo do meu coração que quando tiver que atravessar essa montanha chamada sofrimento, assim como seu Mestre, te desejo sorte, e lhe peço que dê o melhor de si! Ganbate Kudasai.

Shihan Daniel Hernandez 15º Dan - Japão

texto extraído da página do shidoshi Fabricio - Bujinkan SC